Neste último domingo, ocorreu o falecimento do renomado jornalista esportivo Léo Batista, carinhosamente apelidado de 'A Voz Marcante', no hospital Rio D’or, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Ele estava internado desde sexta-feira em decorrência de complicações relacionadas a um câncer no pâncreas.
Léo Batista deixa um legado de mais de sete décadas de uma carreira brilhante, sendo uma figura incontestável para todos os entusiastas do esporte. Sua morte gerou comoção nas redes sociais, com diversas personalidades e clubes prestando homenagens a esse ícone da comunicação esportiva brasileira.
Com mais de 53 anos de história na TV Globo e mais de sete décadas como jornalista, Léo Batista é uma fonte de inspiração para várias gerações de profissionais, que aprenderam com seu estilo único e inconfundível, seja através do convívio direto ou acompanhando sua brilhante trajetória.
Nascido em Cordeirópolis, São Paulo, de ascendência italiana, Léo Batista desde jovem demonstrou interesse pela comunicação, iniciando sua carreira nos anos 1940 no rádio, após atuar em serviços de alto-falantes em sua cidade natal.
Sua incursão no jornalismo esportivo teve início na Rádio Difusora de Piracicaba, onde trabalhou como setorista do XV de Piracicaba, clube recém-promovido à primeira divisão do Campeonato Paulista. Sua mudança para o Rio de Janeiro em 1950 marcou o início de uma grande jornada, que contemplou sua cobertura da Copa do Mundo realizada no Brasil no mesmo ano.
Em 1952, Léo foi contratado pela Rádio Globo, desempenhando funções de locutor e redator de notícias. Sua estreia como narrador esportivo aconteceu durante uma partida no Maracanã entre São Cristóvão e Bonsucesso. A sugestão de Luiz Mendes, seu chefe na emissora, foi adotar o nome “Léo Batista” em substituição ao seu nome de registro, João Belinaso, por ser considerado mais adequado para o rádio.
Um momento crucial na vida de Léo Batista foi seu envolvimento com o Botafogo, clube do qual se tornou torcedor fervoroso. Em uma entrevista ao programa Conversa com Bial, ele recordou como se tornou alvinegro durante uma partida no Maracanã entre Botafogo e Fluminense.
Na televisão, Léo estreou em 1955 na extinta TV Rio, onde apresentou o Telejornal Pirelli por 13 anos. Sua entrada na TV Globo em 1970, para cobrir a Copa do Mundo no México, foi marcada pelo tricampeonato da Seleção Brasileira e pela rápida ascensão de seu estilo descontraído e envolvente na emissora.
Em 1978, Léo Batista foi o responsável pela criação do icônico programa Globo Esporte, que se tornou uma referência no jornalismo esportivo e continua sendo transmitido até os dias atuais. Além disso, ele foi figura marcante no Jornal Hoje a partir de 1971, participou do Globo Rural, narrou os gols da rodada no Fantástico e marcou presença nos programas Globo Esporte e Esporte Espetacular. Nas décadas de 1980 e 1990, ele ainda comandou um bloco esportivo aos sábados no Jornal Nacional.
Dentre os momentos memoráveis de sua carreira, destaca-se o fato de ter sido o primeiro radialista a noticiar o suicídio de Getúlio Vargas em 1954. Além disso, sua participação na Copa do Mundo de 1970 o levou a substituir Cid Moreira em uma edição do Jornal Nacional e, posteriormente, a apresentar edições aos sábados.
Para além do futebol, Léo Batista também comandou programas de entretenimento, como o Clube da Alegria, tendo inclusive tido o privilégio de apresentar Hebe Camargo na celebração do aniversário da Rádio Clube de Birigui, um momento marcante em sua carreira.